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segunda-feira, 1 de março de 2010

Campanha da fraternidade ecumênica 2010

TEMA: ECONOMIA E VIDA

A economia existe para a pessoa e para o bem comum da sociedade, não a pessoa para a economia. Tem havido uma inversão de valores. A economia é simplesmente um instrumento que deve estar a serviço das pessoas e não o contrário. O lema desta Campanha, a afirmação de Jesus registrada no Evangelho segundo Mateus: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6, 24), nos propõe uma escolha entre os valores do plano de Deus e a rendição diante do dinheiro, visto como valor absoluto dirigindo a vida. O problema não é dinheiro em si, mas o uso que dele se faz.

É útil como instrumento destinado ao serviço e intercâmbio de bens de uso, mas não pode ser o supremo comandante dos nossos atos, o critério absoluto das decisões dos indivíduos e dos governos. Deve ser usado para servir ao bem comum das pessoas, na partilha e na solidariedade. Nossa atitude diante do dinheiro mostra muito o tipo de pessoa que somos. Por isso Jesus diz: “Onde estiver o teu tesouro, ali também estará o teu coração” (Mt 6, 21). Se o enriquecimento e a acumulação continuam a ser o sonho de nossa sociedade, os valores se invertem e colocamos em segundo plano a pessoa, sua vida, sua dignidade seu bem-estar. A relação com Deus e todas as demais aspirações humanas acabam por serem rebaixadas a valores secundários.

Uma economia baseada no individualismo e na acumulação de bens materiais afasta-se radicalmente do projeto de Deus, expresso em toda a Bíblia. Deus quer o bem de todos – não se poderia esperar outra coisa de alguém que é Pai, que cria todas as coisas por amor. Uma economia que ignore esse fundamento religioso não estaria só negando o sentimento religioso de nosso povo. Seria também inaceitável até para as pessoas de boa vontade, que não pertencem a nenhuma denominação religiosa, mas que se percebem como membros de uma grande e única família humana, que entendem que não há alternativa: ou vivemos solidariamente como irmãos ou seremos todos infelizes num mundo trágico. Uma correta escala de prioridades revela onde de fato está o nosso coração e se manifesta em diferentes campos de nossa vida.

Cada um de nós é chamado a não praticar corrupção, afastar-se da desonestidade e viver a partilha no amor fraterno. Por isso, procuremos ser fiéis ao Senhor e generosos com o próximo acreditando sempre que há mais alegria em dar do que em receber.

Que o Bom Deus nos fortaleça nessa caminhada e nos dê a graça da fidelidade!

Fonte: Trecho adaptado do livro Texto Base da Campanha da Fraternidade 2010

http://www.cnbb.org.br/site/component/docman/cat_view/241-cf/242-cf-2010

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Oração da Campanha da Fraternidade 2009

Bom é louvar-vos, Senhor, nosso Deus, que nos abrigais à sombra de vossas asas, defendeis e protegeis a todos nós, vossa família, como uma mãe, que cuida e guarda seus filhos.
Nesse tempo em que nos chamais à conversão, à esmola, ao jejum, à oração e à penitência, pedimos perdão pela violência e pelo ódio que geram medo e insegurança. Senhor, que a vossa graça venha até nós e transforme nosso coração. Abençoai a vossa Igreja e o vosso povo, para que a Campanha da Fraternidade seja um forte instrumento de conversão. Sejam criadas as condições necessárias para que todos vivamos em segurança, na paz e na justiça que desejais.

Amém.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A paz é fruto da justiça

A Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil, realizada na Quaresma, discute nesta edição o tema «Fraternidade e Segurança Pública».
O secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Dimas Lara Barbosa, concedeu entrevista à Assessoria de Imprensa da CNBB para falar sobre a Campanha.

–Quais são os objetivos da CF 2009?
–Dom Dimas Lara: A CF tem como objetivo mais profundo levar à vivência da Quaresma, tempo forte de conversão, em que por meio da oração, do jejum, da caridade, da escuta da Palavra, da vida comunitária, nos preparamos para viver de maneira mais concreta a própria Páscoa. A Campanha deste ano mostra a preocupação da Igreja com o problema da violência e da insegurança que assola a sociedade de maneira geral, nos grandes centros, no interior e no campo. Nosso objetivo é suscitar um debate sobre a questão da Segurança Pública, [conhecer] as causas da violência e a cultura do medo que reina em muitos lugares. Queremos promover uma cultura da paz em todos os âmbitos.

–O texto-base da CF 2009 fala em conflito e violência. Qual a diferença entre esses dois atos? Como lidar com cada tipo de situação?
–Dom Dimas Lara: Pode haver um conflito de ideias ou de decisões, por exemplo, no momento de uma assembleia escolher a prioridade da diocese ou da paróquia. Os conflitos podem surgir, inclusive, dentro da própria casa. A questão é a maneira como se vai resolver o conflito, se através do diálogo, buscando uma síntese, ou da força, da violência, de modo que as opiniões de uma pessoa prevaleçam diante da realidade do outro. Se por conflitos entendemos divergências, é evidente que, ao se trabalhar juntos, eles vão surgir. O conflito não precisa necessariamente levar à violência. Queremos trabalhar o conflito através do diálogo. Para mediar os conflitos mais sérios, podemos criar, no nível de Igreja, um ministério e, no nível dos poderes públicos, uma atividade institucional. Atualmente o principal mediador de conflitos é o juiz, o sistema judiciário que, diante de um conflito de interesses, verifica, à luz da legislação, quem é que tem razão. Existem propostas de leis para se ampliar essa mediação de conflitos de modo que não apenas advogados, mas também psicólogos, teólogos, possam atuar como mediadores de conflitos, por exemplo, entre casais.

–E a violência?
–Dom Dimas Lara: Se a violência existe, ela precisa ser denunciada. A sociedade tem o direito de defender, sobretudo aqueles que são mais vulneráveis. Sabemos que existe a violência doméstica gravíssima, sobretudo contra a mulher e a criança. Existe a violência dos grupos do crime organizado; há a violência tanto praticada quanto sofrida por policiais; existe o racismo, violência simbólica. Isso sem contar os abusos explícitos no que diz respeito aos direitos humanos: tortura nas prisões, trabalho escravo. Há casos em que é possível fazer com que essas violências cessem através de uma mediação, de um trabalho de reconciliação e de perdão. Há excelentes trabalhos como o da Pastoral Familiar, Pastoral Carcerária, Pastoral do Menor, que ajudam pessoas que, muitas vezes, estão vivenciando uma verdadeira desestruturação psicológica e familiar. Existem outros casos, no entanto, em que é preciso a denúncia profética para que a força da autoridade pública se faça valer. Aí o judiciário e a polícia têm mais eficiência. Não somos contra uma ação da polícia, mas ela não precisa ser feita de modo a combater a violência com mais violência. Quando a violência existe, a postura tem de ser de defesa, sobretudo, dos inocentes e mais vulneráveis.

–Como a Igreja vai agir junto às comunidades para trabalhar um tema tão complexo como Segurança Pública?
–Dom Dimas Lara: Acima de tudo a Campanha da Fraternidade quer suscitar o debate para que cada comunidade levante as situações de mais insegurança e violência presentes nela, questione sobre suas causas e procure se organizar para combatê-las pela raiz. Nesse sentido, a paz que queremos construir como fruto da justiça há de ser resultado de um mutirão, com a sociedade organizada atuando em parceria com as organizações da Igreja e o Poder Público para buscar soluções.
O texto-base da CF, no entanto, apresenta, como sugestões, várias pistas de ação. Algumas, evidentemente, valem para todos, como procurar conhecer a Defensoria Pública e fazer parcerias com ela para que, por exemplo, os pobres tenham um advogado que os defenda em casos de necessidade. As comunidades podem participar das conferências municipais, estaduais e nacional de Segurança Pública, organizadas pelo Ministério da Justiça que permite, ainda, a realização das chamadas Conferências Livres. Elas podem ser organizadas por qualquer comunidade, associação de moradores, condomínios. As conclusões destas Conferências Livres podem ser enviadas diretamente para o Ministério da Justiça, sem a necessidade de passar pela Secretaria Estadual e Municipal de Segurança Pública.

–Como despertar nas comunidades a responsabilidade pela Segurança Pública e pela promoção da cultura de paz?
–Dom Dimas Lara: Através da própria dinâmica da CF, que apresenta diversos subsídios. O texto-base é apenas o texto fundamental, a partir do qual foram elaborados outros como celebrações penitenciais, via-sacra, círculos bíblicos, encontros para as famílias, para a juventude, para as escolas. Além disso, o tema da CF é apresentado no Congresso Nacional e o texto-base enviado aos deputados, ministros e outras autoridades. O tema é discutido também nas escolas e universidades. A CF atinge desde as populações ribeirinhas, no Amazonas, até os condomínios das nossas grandes cidades. Nenhum outro instrumento da Igreja Católica no Brasil tem uma capilaridade como essa.

–A Campanha da Fraternidade tem um gesto concreto que é a Coleta da Solidariedade. Qual sua finalidade?
–Dom Dimas Lara: O gesto concreto é uma atividade peculiar, enquanto se trata de uma doação em dinheiro feita na coleta do domingo de Ramos. Com isso é constituído o Fundo Nacional de Solidariedade que financia projetos das mais diversas comunidades. Centenas de projetos, pequenos, médios e grandes, são financiados a partir desta colaboração. Essa é outra forma de colaborar com a Campanha da Fraternidade.

fonte CNBB